segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ana e as Bigas


Ana Tomicioli não nasceu à jornalista brilhante que é. Antes de estudar jornalismo, foi modelo. A estréia diante das câmeras, nesta foto de 1986, enviada pelo amigo Luis Claudio Geteó, foi para divulgar produtos da empresa da própria família: Tomicioli Charretes. A origem é a Itália. Foi em Roma que os Tomicioli fabricaram, ainda no século XV, a primeira biga. Hoje a empresa, gigante do setor, também está no Brasil.Fica em Santa Maria (RS) e produz troles e carruagens.Essas últimas exportadas para Hollyood e para a própria Itália, usadas em filmes de Far West. Agora tá facil entender por que dizem que o Daniel puxa uma carroça por Ana.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Caiu o Ministério:Bastidores


Uma hepatite me afastou do elenco no final da temporada de “Um Bonde Chamado Desejo”, que Kiko Jaess dirigiu com Eva Wilma, Pepita Rodrigues, Nuno Leal Maia, Ivete Bonfá, Edney Giovenazzi, Rubens Rollo e Clemente Viscaíno. Quarenta dias no estaleiro em Pinhal e de volta a São Paulo encontro de cara o jornalista Hilton Viana de “O Diário da Noite” em frente ao Teatro Paiol:
-Rapaz, que coincidência te encontrar. O Osmar me ligou agora à tarde. Está que nem louco procurando um ator para substituir o irmão do Giba Um. A peça estréia em uma semana.O personagem tem a tua cara. É jogo rápido.
Entrei em parafuso. Eu? Indicado pelo Hilton Viana??? Trabalhar com o Osmar Rodrigues Cruz??? Era muita sorte!!!
Hilton não me deu tempo. Foi logo fazendo sinal para um taxi e em quinze minutos já estávamos conversando com o Osmar no saguão do Teatro Maria Della Costa. Eu não pude acreditar quando vi o elenco chegando:Cláudio Corrêa e Castro, Abraão Farc, Benjamim Catan, Toni Ramos, Marcos Plonka, Kleber Afonso, Carlinhos Silveira, Ézio Ramos, Nize Silva, Ana Maria Dias, Lilian Fernandes, Maria Yuma Nery, Amilton Monteiro, Felipe Levy, Gibe. Fiz um teste rápido e tremi quando soube que iria fazer “escada” para ninguém menos que Tony Ramo. Com um elenco destes, não podia dar outra: “Caiu o Ministério”, de França Junior, ficou dois anos em cartaz. Era uma família trabalhando junta. Mais que isso, criando sem cessar. Depois do primeiro ano vieram os cacos. Era preciso estar em alerta constante. Entravamos em cena prontos para improvisar diante das “pegadinhas” que eram preparadas sigilosamente nos camarins antes de cada espetáculo. Abraão Farc fazia o Ministro da Guerra. Criou um tipo maluco, que durante a cena reunindo o Ministério (a mais hilariante da peça), simulava um revólver com os dedos da mão e atirava disfarçadamente nos seus pares, entrincheirado entre as cadeiras. Os outros personagens, entrando na brincadeira, tentavam flagrar Abraão que escondia o revólver (mão) no bolso da casaca, provocando risos da platéia. Mais alguns minutos e lá estava ele novamente “atirando” nos Ministros às escondidas. Certa noite, Felipe Levy, chega ao camarim com um estranho embrulho e com cara de quem iria aprontar uma grande sacanagem. Não deu outra.Posicionou-se na coxia fingindo concentração.Aguardou o início da grande cena e quando Abraão Farc apontou o revólver imaginário na direção de Claudio Correa e Castro, Felipe Levy disparou. Um estrondoso tiro de festim quase “derrubou” o teatro. Silêncio sepulcral seguiu-se ao susto do elenco e público. Abraão refeito percebeu a sacanagem de Levy e começou a rir. O riso foi contagiando todos que estavam em cena. Virou gargalhada e o pior: Plonka contrai o maxilar para não rir e o esforço faz com que a prótese dentária que usava, caísse sobre o colo de Benjamim Cattan, sentado no sofá no centro do palco. Este ator extraordinário, também tentou segurar a gargalhada. Não conseguiu. E o esforço fez com que, literalmente, urinasse em cena aberta na calça de cetim roxa que usava. O público delirou. Como diria Nelson Rodrigues: Urrou. A situação ficou incontrolável. Ás pressas o contra-regra foi obrigado a baixar o pano. Só depois de uns quinze minutos, com o elenco recomposto, recomeçou o espetáculo com todos devidamente multados na tabela.
Lembrei desta história porque domingo passado vi Osmar Rodrigues Cruz na TV SESC , em um depoimento gravado, falando de Antunes Filho.Osmar faleceu ano passado.
Ando muito emotivo ultimamente. Chorei. Tenho muitas saudades de todos, principalmente do Osmar. Foi um verdadeiro pai para mim.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vieira e o crápula envangélico


O ator Zé Mauricio Cagno recomendou, hoje pela manhã, a leitura do Sermão da Sexagésima do Vieira. Ansioso que sou, antes de ir até a livraria, corri para a Internet dar uma “olhadinha” no texto. Após leitura rápida e ainda superficial, deparo, ao lado do computador,com a edição desta quinta-feira de “A Tribuna”. Fotos de duas crianças torturadas ontem por um pastor da igreja Deus é Amor, em Sertãozinho, estão na primeira página.Não há adjetivo para qualificar semelhante barbaridade. Com o sermão de Vieira ainda na tela, fico pensando que talvez, em outros tempos, as pessoas eram mais qualificadas para “conduzir rebanhos”. Digo isso levando em consideração, é claro, a polemica histórica que cerca a passagem da Companhia de Jesus pelo Brasil Colônia e a dubiedade da atitude dos jesuítas e de outras ordens missionárias em relação à questão indígena. Ou ainda dos padres pedófilos da modernidade.O certo é que venho observando, que hoje, qualquer mentecapto pode abrir uma igreja, virar pastor e até bispo. A Lei que garante a liberdade religiosa pode ser considerada uma Lei? Sim, porque até onde eu enxergo, só consigo ver que essa Lei não regulariza absolutamente nada. Então, esses sem lei, estão por aí a enganar incautos, analfabetos e o mais humildes. A fera de Sertãozinho era pastor da Igreja Deus é Amor. O nome do facínora: Marcelo.
Não foi para a cadeia protegido por outra Lei: No Brasil agressão não caracteriza flagrante, segundo a delegada que “cuidou” do caso. Meu Deus!!!
Em tempo: No Rio de Janeiro outro Marcelo está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais. Gabeira em último.

TRECHO SERMÃO DA SEXAGÉSIMA- Antonio Vieira
Antigamente convertia-se o Mundo, hoje porque se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de David derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra: Infixus est lapis in fronte ejus. As vozes da harpa de David lançavam fora os demônios do corpo de Saul, mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão: David tollebat citharam, et percutiebat manu sua. Por isso Cristo comparou o pregador ao semeador. O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. Diz o Evangelho que a palavra de Deus frutificou cento por um. Que quer isto dizer? Quer dizer que de uma palavra nasceram cem palavras? -- Não. Quer dizer que de poucas palavras nasceram muitas obras. Pois palavras que frutificam obras, vede se podem ser só palavras! Quis Deus converter o Mundo, e que fez? -- Mandou ao Mundo seu Filho feito homem. Notai. O Filho de Deus, enquanto Deus, é palavra de Deus, não é obra de Deus: Genitum non factum. O Filho de Deus, enquanto Deus e Homem, é palavra de Deus e obra de Deus juntamente: Verbum caro factum est. De maneira que até de sua palavra desacompanhada de obras não fiou Deus a conversão dos homens. Na união da palavra de Deus com a maior obra de Deus consistiu a eficácia da salvação do Mundo. Verbo Divino é palavra divina; mas importa pouco que as nossas palavras sejam divinas, se forem desacompanhadas de obras. A razão disto é porque as palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos. No Céu ninguém há que não ame a Deus, nem possa deixar de o amar. Na terra há tão poucos que o amem, todos o ofendem. Deus não é o mesmo, e tão digno de ser amado no Céu e na Terra? Pois como no Céu obriga e necessita a todos a o amarem, e na terra não? A razão é porque Deus no Céu é Deus visto; Deus na terra é Deus ouvido. No Céu entra o conhecimento de Deus à alma pelos olhos: Videbimus eum sicut est; na terra entra-lhe o conhecimento de Deus pelos ouvidos: Fides ex auditu; e o que entra pelos ouvidos crê-se, o que entra pelos olhos necessita. Viram os ouvintes em nós o que nos ouvem a nós, e o abalo e os efeitos do sermão seriam muito outros.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

FORA CHINA


Já não se fala mais em Daniel Dantas.Também conseguiram abafar as manifestações
pela libertação do Tibete que, segundo a BBC-Internacional, estão pipocando longe da mídia, em todo mundo. Aqui em Ribeirão estamos aguardando concentração marcada para sexta-feira durante a abertura oficial das Olimpíadas. Sobre o Tibete e Dalai Lama, o confrade Nélio Pavarelli escreve:

Há anos, a China mantém a posição de que o Dalai Lama representa um perigo à integridade do país por promover internacionalmente a independência do Tibete, invadido por tropas chinesas em 1950.
Muitos tibetanos acreditam que apenas o Dalai Lama pode salvar o Tibet da extinção.
Mas até mesmo o Dalai Lama é mortal. E eles estão profundamente ansiosos sobre o que vai acontecer quando o líder espiritual morrer.
Para os tibetanos, Dalai Lama não é apenas um monge budista, um deus e um rei (o mais recente na longa linha centenária de regras espirituais), mas um símbolo de uma civilização sem precedentes que vai além da vida.
Nos últimos 50 anos, do seu santuário no outro lado do Himalaia, o 14º Dalai Lama manteve vivo os seus sonhos de sobreviver como um povo isolado.
Muitos temem que sua morte acabe com a última chance de independência genuína.
Outros prevêem caos e sangue. Tibetanos extremistas poderão se sentir livres a recorrer ao terrorismo, dando espaço para que Pequim intervenha de forma mais dura.
Phuntsog Wangyal, da Fundação Tibet, baseada em Londres, acha que o carisma do atual Dalai Lama será difícil de ser substituído.
"Quem assumirá o seu manto? Não há ninguém equivalente a ele. Não acredito que qualquer pessoa possa ter a autoridade que ele tem", diz.
Vácuo
O Dalai Lama fugiu para a Índia em 1959 em meio a uma tentativa frustrada de combate à ocupação chinesa, que havia começado nove anos antes.
Desde então o líder espiritual tem sido a cara do Tibet na comunidade internacional. Ele já ganhou o Prêmio Nobel da Paz, já obteve apoio público de astros do cinema e apoio privado de presidentes e primeiros-ministros.
Mas nenhum país reconheceu o governo exilado do Tibet.
Samdhong Rinpoche foi o primeiro premiê eleito no governo exilado.
Ele foi escolhido em 2001 por membros da diáspora tibetana como parte de uma tentativa para democratizar um movimento que, durante anos, ficou em volta do carisma pessoal, da força espiritual e da alta reputação do Dalai Lama.
"Institucionalizando a continuidade da liderança, os arranjos estão agora prontos para evitar um vácuo e fazer o povo tibetano não tão dependente do Dalai Lama", afirmou Rinpoche à BBC.
O Dalai Lama disse esperar que o seu sucessor seja encontrado em um "país livre".
A China quer que o próximo Dalai Lama seja escolhido sob a sua supervisão.
Em 1995, o Dali Lama reconheceu, no Tibet, um garoto de seis anos de idade como sendo o sucessor do 10º Dalai Lama, Panchen Lama, que morreu em 1989.
A China prendeu o menino e escolheu um outro em seu lugar. O garoto original nunca mais foi visto.
FORA CHINA.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Revendo e revivendo outros tempos



Minha estréia como ator no teatro profissional foi em “Sonho de Uma Noite de Verão”, com direção de Kiko Jaees, no teatro Maria Della Costa No elenco estavam, entre outros:Jonas Bloch, Ivete Bonfá, Tereza Teller , Irene Tereza , Amauri Alvarez, Clemente Viscaino, Ronaldo Ciambrone, Olney Cazarré, Hilton Have e ninguém menos que Ewerton de Castro. A criação que fez para Puck entrou para a história do teatro brasileiro.Kiko quis um espetáculo acrobático. Todas as manhãs acompanhava Jonas e Ewerton a Academia da Polícia Militar onde ambos aprendiam usar o trapézio (desses de circo) Tive o privilégio em ver nascer o Oberon de Jonas e o Puck de Ewerton. O espetáculo começava com Jonas e Ivete descendo do urdimento através de um trapézio ao mesmo tempo que Everton surgia num imenso cavalo cenográfico, criado por José de Anchieta, e que também através da “maquinaria” descia do teto no palco. Do cavalo Ewerton saltava em um trapézio que o fazia voar até a metade da platéia e o trazia de volta ao palco. Assim começava o espetáculo.
Certa tarde o espetáculo foi vendido para um colégio. Os alunos já tinham chegado ao teatro quando chegou a notícia: havia caído uma barreira na estrada de Santos e Ewerton estava preso no congestionamento. Tinha ido gravar Mulheres de Areia em Praia Grande. Desesperado, Kiko me chama ao camarim –“Você conhece o texto do Ewerton. Vamos lá. Eis sua chance de fazer o papel principal”
Não deu tempo de dizer não e quando saltei para o trapézio não dei o impulso necessário. Não deu outra, o equipamento foi perdendo força e fiquei dependurado sobre a platéia. O maior mico da minha vida. Foi preciso chamar o contra-regra para, com uma escada, me retirar do trapézio. Enquanto isso o público morria de rir.Mas mesmo assim o espetáculo foi até o final, sem é claro, eu ousar fazer novamente as marcas acrobáticas.Lembrei dessa história porque acabo de reencontar Ewerton de Castro
(de quem inclusive fui padrinho de casamento com a Maria),aqui na Internet.Ewerton anda triste porque ainda não conseguiu reabrir sua escola de teatro fechada por falta de recursos. Mas o texto que vem abaixo é uma verdadeira aula. Divido com vocês:
'A profissão do ator não é fácil como parece. Em qualquer profissão onde a oferta de trabalho é menor do que a procura, você tem que fazer sempre o melhor. Tem que ser diferente e melhorar a cada dia. Tem que se aprimorar. Eu procuro incutir nos alunos, que o grande trabalho do ator é a pesquisa e o estudo profundo da personagem. Para que seja sempre colocado de lado a intuição, porque isso não tem consistência. Você pode até improvisar muito bem, mas é preciso dar uma base sólida e concreta à personagem para que ela exista e possa durar toda a temporada. E outra coisa muito importante: o trabalho do ator é se preparar hoje para o papel que estará fazendo daqui 20 anos. É preciso aprender o máximo de coisas porque, um dia, você vai precisar saber.', Ewerton de Castro – Ator,diretor e professor de teatro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Indaiatuba: o Havai não é aqui


Quem conhece, freqüenta e acompanha de perto a administração de Indaituba, não se surpreendeu com a colocação da cidade em primeiro lugar no Índice Firjam de Desenvolvimento Municipal, criado pela Federação das Industrias do Rio de Janeiro para medir anualmente a eficiência de políticas públicas em municípios brasileiros. Indaiatuba tem um plano diretor de 20 anos que vem sendo seguido por diferentes prefeitos.Tem um Plano Decenal de Educação tocado por um grupo que atua junto há mais de duas décadas, sobrevivendo bem às mudanças de prefeitos ou partidos no poder. A cidade destina à saúde 22% do Orçamento e 26% a Educação, mais do que o exigido pela Lei. As crianças recebem 10 mil horas de aulas, dos 3 meses aos 10 anos de idade e há prêmios para professores cujos alunos se destacam nas avaliações.Mais de 2 mil laptops são usados pelos alunos e o total vai passar dos 2 mil até o ano que vem. Grandes empresas instaladas na
cidade (Unilever,Toyota,Mann, Metaleve), são “motivadas” pelo prefeito Zé Onério a investir na produção artística local.Recentemente o Zé inventou um desafio: chamou 10 mil pessoas para plantarem 50 mil árvores em 45 minutos. Conseguiu. Mas apesar disso tudo a população de Indaiatuba não está satisfeita: Zé Onério não é candidato à reeleição.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Porre na TV local


Ontem, durante o horário nobre, a TV Thathi reprisou por mais de três horas sessões da Câmara Municipal realizadas no primeiro semestre do ano. Ao mesmo tempo, outra “educativa”, o Canal 9, exibia pela enésima vez um fatídico “Viva Noite Ribeirão”, onde um rapaz com um microfone nas mãos, uma câmera às costas e nenhuma idéia na cabeça, visitava a casa de um esotérico com cara de Mãe Dináh. Em outra emissôra,Canal 20 Net, ao som de bate estaca, uma patricinha circulava pela noite entre celebridades locais e outros alienados bêbados fazendo perguntas imbecis. Quem assistiu a programação local ontem, mesmo sem beber, evitou sair de casa depois, com medo de não passar pelo bafômetro da PM. Um porre que, com certeza, vai se repetir hoje, amanhã, sempre... Ou até quando o Ministério Público resolver tomar providências. Afinal, concessão para emissoras educativas, devem obedecer algum critério mínimo. Hoje sabe-se que qualquer mentecapto com dinheiro pode comprar horários e virar “repórti”. É o Brasil. É Ribeirão Preto.