sexta-feira, 8 de maio de 2009

O espetáculo da década


Não resta a menor dúvida: Expédition Paddock com a Cia.Tango Sumo, apresentado terça passada no Teatro de Arena foi o espetáculo da década."Coreografias alucinadas, proezas acrobáticas, cantos e música de sucata. Entre o pesadelo e realidade o espetáculo Expédition Paddock introduz o espectador a um universo cheio de ruídos e próximo da loucura onde o humor é, todavia, onipresente. O grupo Tango Sumo de Morlaix, na região da Bretanha, França é conhecido pela naturalidade com que aborda a dança no meio urbano criando espetáculos ora ferozes, ora doces e ternos".

Boal Vive


Tarde memorável. Alunos, professores e atores do Ribeirão Em Cena foram as ruas ontem para reverenciar Augusto Boal que nos deixou inadivertidamente semana passada.
Na Esplanada do Theatro Pedro II o grupo vivenciou exercícios criados pelo pai do Teatro do Oprimido.

O velho e bom Pelica


Durante a manifestação para lembrar Boal ontem, encontro com o extraordinário cartunista, amado amigo Pelicano. Então, que nasçam poemas, canções...

sábado, 25 de abril de 2009

Aos Meus Amigos


Meus caros amigos,
há um ano e meio, minha filha, adquiriu a Rose Ballet School, tradicional escola de ballet de Ribeirão Preto. De lá prá cá, Flávia trabalhou duro para implantar um programa de qualidade total administrativa e pedagógica. Este programa está atingindo agora a primeira fase. Hoje, completamente reestruturada, a Rose Ballet School tem em seu corpo docente professores de altíssimo nível a exemplo de Márcio de Oliveira, Carlos Fonseca, Débora Silva, Fernanda Antolini, Márcia Delmondes, Fernanda Monteiro ,Lizandra Costa e grandes projetos para executar. Oficializada pelo MEC a Rose Ballet oferece ensino do Clássico desde o Baby Class, Contemporâneo, Jazz, Sapateado, Ballet Adulto Para Iniciantes,Flamenco,Danças Urbanas,Folclóricas e entre outras atividades produziu recentemente dois belíssimos espetáculos: O Mágico de Oz e Sylvia A Ninfa de Diana, ambos apresentados com muito sucesso no Teatro Municipal.
Bem, mas para encurtar a conversa, estou comunicando que também vou entrar nesta dança. Atendendo um apelo da Flávia, a partir de agora vou dividir o tempo entre o Ribeirão Em Cena e a Rose. Estou assumindo de corpo e alma a direção de Novos Projetos da Escola.
Espero poder contar com todos vocês na condução deste novo desafio. Mais que isso, vou precisar muito de vocês. De idéias, participação,recomendações...
Sei que posso contar com o apoio.
Recebam um abraço do
Gilson Filho

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Amigos Escrevem


Campinas, antes do golpe de1964, era linda, como se observa nas imagens. Depois da “redentora de 64”, os Ruys Novaes apareceram arrasar a cidade. Até hoje, eles estão arrasando a cidade. O norte do Paraná e o sul de Minas despejaram migrantes nas “grandes cidades” e Campinas cresceu em população e não em arrecadação. Deu no podemos ver: bairros enormes, invasões de milhares de pessoas e falta de Urbanização e Saneamento. Saúde, Educação, Transporte e Habitação, desapareceram. Cultura desapareceu. Veja as destinações do Orçamento Municipal: os vereadores, ignorantes de pai e mães, aprovam verbas para obras bem altas e nada para a Cultura.

É só ver na História e descobrir que isso tudo coincidiu com a “revolução” de 64. Ruy Novaes já existia, mas se revelou ou, assumiu, com os militares. A corrupção foi introduzida por eles; e grassa até hoje.

Poucos nomes se insurgiram contra a demolição do Teatro: dois arquitetos, que agora estão no “ceu”, foram contra, porque sabiam que retirar o Teatro de lá era apenas questão imobiliária... Rachaduras existiam no cérebro dos políticos da Arena (talvez nos do PDB também) e infiltrações existiam na moral dos responsáveis pela administração pública.

Mas foram bons tempos, aqueles da Campinas de antes de 1964. A Cultura tinha até Teatro, o transporte tinha até bonde, a Saúde tinha o Drs. Penido, Boldrini, a segurança pública tinha o Dr. Cid Leme e por aí vai. As coisas da cidade eram precedidas por nomes próprios: Bar era o Ideal cujo sucesso eram os garçons Faca,Tóta e Mossoró. Até a cerveja era feita aqui na Cervejaria Colúmbia; lá na av. Andrade Neves.

Campinas era ótima cidade. Era. Hoje está cheia de Ignorância e gente para quem falta de tudo; aliás para o Brasil também.

Alexandre Caldas.

sexta-feira, 27 de março de 2009

HOJE DIA DE LUTA DA CLASSE TEATRAL


Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Movimento 27 de março - a classe artística se levanta!
Carta Aberta ao Presidente Lula e ao Ministro da Cultura Juca Ferreira


Ilustríssimos Senhores
Nos últimos seis anos do vosso governo constatamos que não houve nenhum avanço na criação e no desenvolvimento de políticas públicas, democráticas, transparentes e descentralizadas para as artes no país, apesar dos Programas de Cultura do Partido dos Trabalhadores, que apontavam para um novo modelo gestor, de entendimento da Questão Cultural e que serviram de base para as diferentes campanhas políticas até a eleição do atual governo. E isso frustra a categoria, dadas as expectativas geradas pela vossa eleição e o modelo exemplar que ele poderia representar para as políticas públicas estaduais e municipais por todo o país.
Pensávamos, há seis anos, que um momento mais fértil para a cultura e para o país havia chegado, pois o governo empossado, recebendo o mandato de milhões de trabalhadores para atender às reivindicações mais sentidas do povo brasileiro, iria lutar por instrumentos de inclusão e cidadania e entendia a cultura como um bem inalienável do cidadão, um direito de todos e de cada um, tão importante quanto a saúde, o transporte e a educação.
Pensávamos, há seis anos, que haveria uma possibilidade do Estado servir aos interesses da maioria do povo brasileiro em contraponto às idéias neoliberais de um estado mínimo e à base do programa do governo que vos antecedeu. Mas não foi o que aconteceu.
E por não avançar este governo retrocedeu!
Hoje, no ano de 2009, a crise escancara nossos portões e o vosso governo, com seus recursos acumulados em superávits fiscais, corre para socorrer os grandes grupos econômicos e, mais um vez, deixa para a maioria da população o desemprego, a falta de assistência médica, uma educação insuficiente e uma cultura entregue à indústria do entretenimento. Uma indústria que nada mais visa além do lucro e que transforma a cultura e as artes em produtos sem valor além do consumo imediato, sem poesia e sem reflexão sobre o que somos como cidadãos e como sociedade. Ou seja, sem perspectiva de futuro para além das necessidades básicas de sobrevivência – trabalhar para sobreviver e fazer a máquina econômica girar.
Nós, trabalhadores do teatro e das artes, vos dirigimos esta carta para pedir o que parece impossível, mas esta é uma tarefa que nos cabe – pedir o impossível! Não nos incomodamos com isso, afinal nos diziam que era impossível um operário chegar à presidência da república. Entretanto do que adianta fazer acontecer o “impossível” para depois tudo continuar como antes?
Pedimos que o Estado Brasileiro, que vosso governo no tempo que ainda resta, se ocupe da coisa pública, e aja para o desenvolvimento e proteção de seus cidadãos. E que pense no futuro do nosso país para além de um grande mercado consumidor, um grande canavial, um grande pátio de estacionamento para as montadoras.
Por isso nós trabalhadores do teatro conclamamos o atual governo a dizer um basta à política de privilégios, à entrega do Estado à iniciativa privada, à perda dos direitos dos trabalhadores e ao fisiologismo político que trata as questões da soberania nacional como uma bolsa de valores sem nenhum outro horizonte a não ser luta pelo poder.
E através desta carta reivindicamos:
- O fim da lei de isenção fiscal para a cultura.
- A criação de um Fundo Público para a Cultura, através de Lei.
- Que ele seja o responsável pela implementação de políticas públicas para todas as áreas da cultura.
- Que ele opere através de editais públicos em todas as regiões do Brasil com a participação paritária, em suas comissões de seleção, de representantes escolhidos pelo governo e pelos participantes dos respectivos editais.
- Que este fundo tenha uma dotação orçamentária mínima anual definida pela lei, e que portanto esta lei seja encaminhado pelo poder executivo como um projeto de governo.
- A imediata implantação do projeto “Prêmio Teatro Brasileiro” sob a forma de um edital nacional ainda para o ano de 2009.
- O descongelamento dos 75% do orçamento da união para o Ministério da Cultura. E um aporte de verbas suplementar para que ele atinja o mínimo de 2% do orçamento geral da União.
Pela nossa experiência dos últimos anos constatamos e entendemos que qualquer lei para a cultura tem necessariamente que contar com uma dotação orçamentária própria (recursos garantidos pela lei), pois isso evita a manipulação política e o corte indiscriminado destes recursos decorrentes de negociações políticas escusas (o balcão de negócios em que a política tem se transformado) e da ignorância por parte dos políticos de plantão sobre a importância que a cultura e as artes têm no desenvolvimento da real cidadania.

Sr. Presidente e Sr. Ministro, a luta por políticas públicas para a cultura é a luta pela soberania nacional e pela construção de um país de cidadãos livres no pensar e no agir.
As reivindicações feitas neste documento são de interesse público e a “Lei de Fomento para o Teatro Brasileiro” é fruto do amadurecimento de muitos anos de estudos sobre o que é realmente uma política cultural de interesse público para o cidadão. Hoje nos colocamos em luta por isso, pois acreditamos que com nossa luta possamos conquistar o impossível.
Assinado: Movimento 27 de março

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pobres moços



Olivia acaba de completar 18 anos. Mora num duplex da Avenida João Fiuza, onde residem emergentes e milionários tradicionais da dourada sociedade de Ribeirão Preto. Dirige desde os 16. Nunca se sentou frente ao volante de um carro que não fosse importado. Quando está com preguiça, o que é muito comum, tem vários motoristas para lhe atender. Não freqüenta o comércio de Ribeirão Preto. Até o básico adquire na Daslu em São Paulo. Desde o pré-primário é aluna do Colégio Santa Úrsula, tradicional instituição de ensino, dirigida por freirinhas hipócritas. Apesar da educação refinada, oferecida pelas freirinhas hipócritas, Olivia é oca. Vamos dizer fútil, vazia. Infeliz...
Infeliz. Foi assim que a própria Olivia se qualificou durante entrevista coletiva que concedeu a imprensa ao deixar delegacia de polícia ontem à tarde.
Quando perguntaram por que infeliz, ela não teve dúvidas:
- Pensei que papai viesse me tirar daqui. Mas, não... Ele mandou o nosso advogado...
Olivia foi presa em flagrante e atuada por roubo e formação de quadrilha.
Dentinho também tem 18 anos. Mora na favela do Grilo, onde residem os deserdados da Califórnia Brasileira. Antes de aprender a dirigir já sabia fazer ligação direta em qualquer veículo. Frequenta o comércio de Ribeirão Preto sempre depois da meia noite e só entra nas lojas pelo telhado. Aprendeu soletrar na Febem. As marcas desta educação traz em várias partes do corpo.
Dentinho e Olivia se conheceram no decorrer de um seqüestro relâmpago. Ela a vítima.
Bateu a Síndrome de Estolcomo e Olivia, apesar de libertada, quis ficar na favela. Durante quinze dias furtou, roubou, seqüestrou, vivendo perigosamente uma versão moderna de Bonnei and Clyde.
Não deu outra: A casa caiu.
Mas, Olivia não ficou nem uma hora atrás das grades. Da delegacia foi, com o advogado, direto para o aeroporto. De lá para Madri .
Dentinho também não ficou muito tempo atrás das grades. Foi para o CDP, mas no dia seguinte o corpo já estava no IML. Foi esfaqueado na cela enquanto dormia.
No enterro, a mãe de Dentinho, conformada, sentenciou:
- Melhor assim. Foi um infeliz. Nem o pai conheceu...
-No aeroporto Olivia sentenciou:
-Sou uma infeliz. Papai nem veio se despedir de mim...