sábado, 30 de agosto de 2008

Polígono encanta


Bravo! O Theatro Pedro II viveu ontem uma noite memorável. Será praticamente impossível esquecer o espetáculo apresentado pela recém criada São Paulo Cia de Dança na sua estréia ribeirãopretana. Não sou especialista em balé, como tantos que lá estavam. Fui como público normal. Saí, como público, encantado. Se a proposta da São Paulo é tornar a dança cênica acessível o objetivo foi cumprido. Clássico e contemporâneo em um só espetáculo na concepção cênica do coreógrafo italiano Alessio Silvestrin para a Oferenda Musical de Bach. Cenários completam a magia...
Mais que isso: no elenco dois bailarinos com formação em escolas de Ribeirão Preto, Adriana Amorim e Yoshi Suzuky. Ambos selecionados numa audição competidíssima entre bailarinos do Brasil e exterior.
Hoje o espetáculo volta a cena. Que volte a Ribeirão sempre.Bravo !!!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Não tenho medo de farda


Sou cidadão brasileiro, não tenho medo de farda,pois vivo numa democracia, e tenho o direito de externar minha opinião, já que a Folha de ontem deu espaço razoável a um general, que disse que ‘ o Exército é fervorosamente contra essa reserva, a ponto de haver motim se a demarcação for continua ‘.
Exijo que ele diga como sabe que o Exército brasileiro todo é fervorosamente contra a demarcação. De onde ele tem essa informação?
E como pode um general dizer que haverá motins no Exército Brasileiro se o nosso Supremo não decidir como ele pensa.
O ministro da Defesa já tem essa informação?Ele já passou as palavras desse general ao presidente de nossa República?
Também sou oficial do Exército e tenho certeza de que esse general precisa voltar a ler o manual de postura militar.
General não fala. General obedece, e para isso é pago. Militar não pode falar em política. Muito menos nos ameaçar com motins.

Este texto foi publicado hoje no Painel do Leitor da Folha e assinado por Maurício Galan, de Curitiba.
Acho que nem é preciso comentar. Afinal todas as vezes que o Exército, contrariando o manual, se mete em política, dá merda.

E por falar em Exército, quase caí da cadeira ontem durante o debate entre os candidatos a prefeito de Ribeirão Preto na TV Clube. Foi quando o candidato Rubens Chioratto declarou que estudou nos cursos da ADESG a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.A Adesg, que fez fama nos anos de chumbo,detém precioso acervo de estudos estratégicos em diversas áreas e os usa para fustigar os movimentos sociais brasileiros, principalmente o MST.Rubens é candidato pelo PSOL. Durma-se com um barulho destes.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008


O repórter Maurílio Moraes, da Gazeta de Ribeirão, pergunta a Cícero Gomes da Silva:
_ Vereador, o que o senhor tem a dizer sobre as contas da Câmara de 2005, que foram julgadas irregulares por unanimidade pelo Tribunal de Contas do Estado.
_ Não vou responder. Está no recurso ainda. Só isso. Está dentro do prazo.
_ O senhor vai devolver o dinheiro que recebeu como verba de representação, como determinou o conselheiro Antonio Roque Citadini?

Vereador partindo pra cima do repórter:

_Eu não quero falar com você, rapaz !!!

Ao ver que o repórter fotográfico Lucas Mamede havia começado a registrar a cena o vereador recua e completa:

_ Você é mau caráter.

Este “diálogo” foi registrado ontem e aconteceu na rampa de acesso ao plenário da Câmara Municipal de Ribeirão. Não aconteceu porque Moraes estava lá passeando. No exercício de sua profissão, o jornalista estava apurando informações sobre as contas de 2005 que foram rejeitadas, mais uma vez, por unanimidade, pelo Tribunal de Contas do Estado. Em 2005, Gomes da Silva era o presidente da Casa. Em 2002 as contas também foram consideradas irregulares com o vereador no mesmo cargo. Entre os problemas apontados pelos técnicos do TCE está o valor pago como verba de representação para o presidente. No voto do conselheiro Antonio Roque Citadini está à recomendação para que Cícero Gomes da Silva devolva o dinheiro.
Esta não é a primeira vez que jornalistas são ameaçados ou mal tratados por vereadores na Câmara Municipal de Ribeirão Preto.
Resta saber então quem é o mau caráter.Quem sabe o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo tenha a resposta...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A Ribeirão que só a Globo vê


Em 1974, o economista Edmar Bacha cunhou expressão Belíndia para definir o que seria a distribuição de renda no Brasil: uma mistura entre uma pequena e rica Bélgica e uma imensa e pobre Índia .
Lembrei da expressão ao assistir uma matéria sobre Ribeirão Preto no Globo Repórter. É inacreditável. Os jornalistas da Globo continuam caolhos. Só têm olhos para a Fiúsa , a doméstica que subiu na vida , as super agências de automóveis da Vargas, as lojas do Boulevard ou as mansões da Califórnia Brasileira que limitam-se entre Lagoinha e Ribeiranea.
Com certeza, na segunda feira, depois do programa, um batalhão de migrantes colocou o pé na estrada rumo à Ribeirão que fica além do horizonte. Quando chegarem, seus horizontes serão uma das dezenas de favelas da cidade. Somarão ao exército de excluídos que não encontram trabalho por falta de qualificação profissional, escola para os filhos e por aí vai. É muita irresponsabilidade deste jornalismo impreciso e falacioso. Este fato lembrou-me também de uma declaração recente do Cícero Sandroni sobre ética jornalística : Não acredito que exista uma ética profissional e sim pessoas éticas. A ética é uma coisa só. A maneira de impedir o jornalismo irresponsável é adequar as empresas a uma posição ética. Para se chegar nesse estágio as empresas de mídia precisam ser fiéis e objetivas com o público e oferecer informações de modo bem feito e eficiente. O que importa para o leitor é credibilidade, informação verdadeira. E basta isso.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Teatro de Senhoritas:Uma Nova Geração de atrizes


Perto de cem pessoas tiveram o privilégio de assistir neste final de semana “Entre Divas e Senhoritas” que a Cia. Teatro de Senhoritas apresentou no Espaço Cultural SantelisaVale aqui em Ribeirão Preto. Um espetáculo extraordinário que remeteu o público a uma experiência emotiva, sensorial... Ao apagar das luzes na platéia, surgiu no palco duas jovens atrizes brilhantes: Sandra Pestana e Isis Madi. Ambas extremamente competentes e talentosas. Não bastasse isso, elas também criaram o texto a partir de um bem cuidado trabalho de pesquisa. Foram às raízes da história do teatro paulista. Buscaram entre atores e atrizes que “viveram” a era TBC, depoimentos que souberam transformar em delicada e emocionante dramaturgia. Além da construção das personagens, texto, cenas, propuseram figurinos, cenários, encenação... Ao trabalho impecável das atrizes soma-se o de Débora Zamarioli que dirigiu o espetáculo. Zamarioli imprimiu à cena um jogo de interpretações verdadeiras e distanciamento. Sua direção é limpa, direta , criativa,simples. A simplicidade leva o público a um mergulho nos meandros da imaginação, reflexão e a catarse tão difícil de ser encontrada nos palcos atualmente. A direção é segura e chega plenamente à realidade que se propõe mostrar, ou seja, “as expectativas e desilusões do ofício de ator do ponto de vista feminino”.
O amigo Luis Cláudio pergunta: mas cem pessoas na platéia não é pouco?
Não, não é pouco. Hoje acredito firmemente que o teatro não é uma arte de massa. Quem vai ao teatro é uma minoria que ainda quer pensar, sentir, emocionar-se, refletir, ver arte. E foi com essas sensações vividas que o público deixou o Espaço Cultural SantelisaVale depois de ver essas verdadeiras novas divas do teatro paulista no palco.

sábado, 16 de agosto de 2008

Voltando ao Você Decide


Um comentário,postado neste blog, assinado por Nei,apesar de confuso contesta o meu alerta para candidatos oportunistas. Ele denúncia preconceito à “crítica” que eu teria assinado a candidatos “mauricinhos” e “big-broters”(postagem de 13 de agosto). Não escrevi sobre mauricinhos. Quem o fez, em um comentário aqui publicado, foi a jornalista Ana Alice das revistas Caros Amigos e Raça. Mas concordo com a Ana. Não em relação a Tuca Nassif ou Junior Spagnolo. Pouco os conheço. Nem sabia que eram candidatos. Mas em relação ao oportunismo, reafirmo tudo que escrevi. E mais: Tenho preconceito sim, com os carreiristas, alpinistas eleitorais, despolitizados.Mas como o Nei, só entendeu o que a ele interessa, devo reforçar. O mínimo que se espera de alguém que se candidata a um cargo político é que seja politizado.Engajado.Empenhado em explorar ao máximo estas características. Com o desejo de colocá-las a serviço dos trabalhadores e não dos burgueses, dos povos e não dos impérios, da liberdade, do conhecimento e não do embrutecimento.Alguém que proclame compromissos com o coletivo, com os direitos e conquistas sociais, o trabalho e os trabalhadores. Que tenha conteúdo, enfim. O restante não merece comentário.E basta isso.
Quanto ao que o Nei escreve sobre aplausos,prestígio,sonhos, isto não tem a menor importância. Não estou aqui para receber elogios e nem para agradar ninguém.O que publíco assino como cidadão. A vida da ONG Ribeirão Em Cena é de um coletivo que independe das minhas convições políticas.

Espectadores matam atores de Romeu e Julieta; é García Lorca



O Público é, provavelmente, a obra mais controversa do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936). Não só pelos temas de que trata, mas também pelo fato de ter sido tomada, durante muito tempo, como uma obra inacabada. O dramaturgo, que dizia considerar a peça "irrepresentável", deixou três manuscritos diferentes do texto.
Censurados pela família, esses fragmentos só foram reunidos muitos anos após a morte de Lorca, chegando finalmente a uma forma final. A peça, que agora é encenada no Brasil pela primeira vez, parte de um mote aparentemente simples: os espectadores de uma montagem de Romeu e Julieta, de Shakespeare, assassinam os atores que interpretam o casal depois de descobrir que eles são homens.
O mais interessante, entretanto, é que esse início, aparentemente realista, abre espaço para a criação de uma dramaturgia em que o que predomina é a fantasia. Ainda que seja uma crítica à moral burguesa e à intolerância, a peça não segue as estruturas dramáticas tradicionais.
A um só tempo erótica e política, inspira-se no surrealismo, apoiando-se em personagens "impossíveis" — cuja composição não obedece às regras de verossimilhança — e na predominância de imagens poéticas no texto.

Iconoclastia
Fruto de muitos meses de pesquisa, a montagem do grupo paulista XPTO tem o mérito de exercitar, na cena, uma leitura própria dessa fantasia lorquiana. O conflito entre autoridade e liberdade, entre desejo e interdição, que marca toda a obra do autor, ganha uma tradução cênica em que o acento permanece todo o tempo na crítica do comportamento.
Do ponto de vista cênico, o diretor Osvaldo Gabrieli optou por representação carnavalizada, que exige o apoio firme dos intérpretes. Apesar de o elenco ser jovem, os atores respondem bem a essa dramaturgia complexa, embrenhando-se na paisagem de imagens e palavras da peça.
Também é digna de nota a direção musical de Beto Firmino, que criou uma trilha com função narrativa indispensável ao espetáculo. As canções, compostas sobre os poemas de Lorca, colaboram em muito com o que as cenas têm de mais comovente.
É preciso observar que muito da iconoclastia formal deste "drama impossível" se esgotou dos anos 30 para cá. Por outro lado, é estimulante perceber um grupo de artistas que ainda considera o teatro uma arte capaz de fazer frente às estruturas carcomidas da sociedade e à intolerância. De todas as virtudes que O Público tem, essa é a mais importante.
O texto acima foi publicado na revista "Bravo" deste mês e também está no site Vermelho.Achei importante compartilhar com leitores deste blog.