terça-feira, 5 de agosto de 2008

Revendo e revivendo outros tempos



Minha estréia como ator no teatro profissional foi em “Sonho de Uma Noite de Verão”, com direção de Kiko Jaees, no teatro Maria Della Costa No elenco estavam, entre outros:Jonas Bloch, Ivete Bonfá, Tereza Teller , Irene Tereza , Amauri Alvarez, Clemente Viscaino, Ronaldo Ciambrone, Olney Cazarré, Hilton Have e ninguém menos que Ewerton de Castro. A criação que fez para Puck entrou para a história do teatro brasileiro.Kiko quis um espetáculo acrobático. Todas as manhãs acompanhava Jonas e Ewerton a Academia da Polícia Militar onde ambos aprendiam usar o trapézio (desses de circo) Tive o privilégio em ver nascer o Oberon de Jonas e o Puck de Ewerton. O espetáculo começava com Jonas e Ivete descendo do urdimento através de um trapézio ao mesmo tempo que Everton surgia num imenso cavalo cenográfico, criado por José de Anchieta, e que também através da “maquinaria” descia do teto no palco. Do cavalo Ewerton saltava em um trapézio que o fazia voar até a metade da platéia e o trazia de volta ao palco. Assim começava o espetáculo.
Certa tarde o espetáculo foi vendido para um colégio. Os alunos já tinham chegado ao teatro quando chegou a notícia: havia caído uma barreira na estrada de Santos e Ewerton estava preso no congestionamento. Tinha ido gravar Mulheres de Areia em Praia Grande. Desesperado, Kiko me chama ao camarim –“Você conhece o texto do Ewerton. Vamos lá. Eis sua chance de fazer o papel principal”
Não deu tempo de dizer não e quando saltei para o trapézio não dei o impulso necessário. Não deu outra, o equipamento foi perdendo força e fiquei dependurado sobre a platéia. O maior mico da minha vida. Foi preciso chamar o contra-regra para, com uma escada, me retirar do trapézio. Enquanto isso o público morria de rir.Mas mesmo assim o espetáculo foi até o final, sem é claro, eu ousar fazer novamente as marcas acrobáticas.Lembrei dessa história porque acabo de reencontar Ewerton de Castro
(de quem inclusive fui padrinho de casamento com a Maria),aqui na Internet.Ewerton anda triste porque ainda não conseguiu reabrir sua escola de teatro fechada por falta de recursos. Mas o texto que vem abaixo é uma verdadeira aula. Divido com vocês:
'A profissão do ator não é fácil como parece. Em qualquer profissão onde a oferta de trabalho é menor do que a procura, você tem que fazer sempre o melhor. Tem que ser diferente e melhorar a cada dia. Tem que se aprimorar. Eu procuro incutir nos alunos, que o grande trabalho do ator é a pesquisa e o estudo profundo da personagem. Para que seja sempre colocado de lado a intuição, porque isso não tem consistência. Você pode até improvisar muito bem, mas é preciso dar uma base sólida e concreta à personagem para que ela exista e possa durar toda a temporada. E outra coisa muito importante: o trabalho do ator é se preparar hoje para o papel que estará fazendo daqui 20 anos. É preciso aprender o máximo de coisas porque, um dia, você vai precisar saber.', Ewerton de Castro – Ator,diretor e professor de teatro.

Um comentário:

Brás disse...

E depois do fiasco no trapézio, ainda veio o "Ovinos, bovinos e noninos", no jornalismo, né, Gilson? Hehe... Revi, pela TV, o Ewerton de Castro no programa da TV Record há algumas semanas. Aí me lembrei das atuações dele em Éramos Seis (o Gilson era mascote), na primeira versão, na antiga TV Tupi, e até em Roque Santeiro... A vida passa, mas as experiências devem ser relembradas, sempre! Abração!
Brás Henrique